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  • Alexandre Nagado

Professor Pier - Aprendendo a estudar

Atualizado: Set 20

As lições de um grande mestre que lutava pela qualidade do ensino escolar.

Quando se pensa nos maiores problemas do Brasil, a educação talvez seja o maior de todos, pois sua má qualidade contribui diretamente para o aumento dos outros.


Com baixo rendimento em testes internacionais de inteligência e com indicativos de QI caindo a cada ano, é óbvio que algo está errado. Não apenas no ensino público, mas também no privado.


O método construtivista e o socio-construtivismo, bem como a pedagogia de Paulo Freire (1921~1997), patrono da educação no Brasil, têm se mostrado um desastre, criando gerações de analfabetos funcionais. Cheios de opinião, mas incapazes de interpretar um texto, essas pessoas instruídas em cartilhas equivocadas já povoam redações de jornal, partidos políticos e vários postos da sociedade.


Como Paulo Freire era um militante comunista mais preocupado com doutrina política - e isso ele conseguiu plenamente - muitas etapas preciosas do aprendizado foram descartadas, como a alfabetização progressiva pelo sistema fonético e a necessidade de decorar a tabuada como elemento essencial da matemática.


Feroz inimigo do construtivismo e das modas pedagógicas, o já falecido professor Pierluigi Piazzi não se limitava a criticar os vários equívocos dos seguidores de Freire, Piaget e Vygotsky, tão celebrados em cursos de pedagogia. Ele defendia que não adiantaria "apenas" retomar as formas clássicas de ensino (o que já é complicado em um país educado para a esquerda), pois as pessoas não sabem como estudar corretamente. Com isso em mente, o professor Pier (como era conhecido) se pôs a escrever e colocar suas ideias no papel. O resultado foi uma coleção de livros cuja proposta é ensinar como aumentar a inteligência de qualquer pessoa, utilizando uma abordagem neuropedagógica.


Eis abaixo uma breve explanação sobre cada título da Coleção Neuroaprendizagem, lançada pelo selo Goya, uma subdivisão da Editora Aleph:

Aprendendo inteligência (Vol. 1)


O primeiro volume se apresenta como um "Manual de instruções do cérebro para estudantes em geral". Nele são apresentados os principais conceitos da coleção, sendo o maior deles o de que a inteligência pode ser aumentada a qualquer tempo, em qualquer idade. Ele relaciona os maiores problemas dos alunos e da estrutura do ensino no Brasil, apresenta soluções e dá dicas preciosas. Indo além, Pier apresenta conceitos bem embasados para defender seus pontos de vista acerca do rendimento estudantil.


Fazendo uma analogia entre o cérebro humano e um computador, o professor Pier explica que as informações assimiladas durante o dia acabam se perdendo durante a noite de sono. O sono, segundo ele, é o momento em que nosso cérebro é "reformatado". Somente o que foi gravado e reforçado na mente será armazenado em nosso "HD" mental. Daí a necessidade explicada em rever em casa a matéria estudada durante a aula. Sua frase para ilustrar esse processo era: "Aula dada, aula estudada... Hoje!"


Se você tiver que escolher somente um livro, Aprendendo inteligência é o ideal.

Estimulando inteligência (Vol. 2)


O segundo volume é destinado a pais que desejam fazer de seus filhos pessoas mais inteligentes e capazes de aprender de verdade, não apenas decorar a matéria. E ele traça um quadro assustador sobre a situação do sistema educacional brasileiro. (Ex.: Veja o teste PISA - Programme for International Student Assessment.)


Pier ensina que se deve estudar um pouco por dia, o que permite uma assimilação de informações eficiente. Do contrário, o aluno que só estuda na véspera da prova pra tirar nota, acaba esquecendo tudo depois. Com isso, ele está apenas jogando suas aulas no lixo e perpetrando uma rede de aparências que desvincula boas notas de um aprendizado realmente eficaz.


O prof. Pier, que lecionou em cursinhos por décadas, sempre afirmava que a existência de cursinhos era a prova de que o sistema de ensino brasileiro e a forma como as pessoas estudam está errada. E ele mostra o porquê, com exemplos com os quais muitos vão se identificar.


Ensinando inteligência (Vol. 3)


O volume três, talvez o mais complexo e provocativo (pois irá mexer com os brios de professores e pedagogos), é mais voltado a profissionais de ensino que desejam estimular o cérebro de seus alunos usando as neurociências. Em certa parte, Pier faz uma avançada simulação de como seria uma rede neural simples para explicar o processo pelo qual um cérebro processa a informação. (Matemáticos deverão achar mais compreensível do que humanos comuns.)


Crítico dos métodos de avaliação no país, Pier também defendia que a pessoa que ensina não deveria elaborar a prova, e que esta iria avaliar tanto o aluno quanto seu professor. E o professor deveria ser respeitado e valorizado, e não colocado lado a lado com os alunos. Não um "facilitador", um "intermediário" ou alguém com um "saber diferente" do que o aluno possui, mas um profissional do ensino. Ele também achava o cúmulo um professor ter que perder tempo para que a classe ficasse quieta.


O livro é recheado de exemplos sobre a forma correta de estudar, se concentrando sozinho em casa, relendo e fazendo anotações manuscritas no mesmo dia em que a aula foi assistida. E há um provérbio oriental que, mais de uma vez, é evocado na coleção:

Se eu escuto... Esqueço!

Se eu vejo... Entendo!

Se eu faço... APRENDO!


Inteligência em concursos (Vol. 4)


O último volume da série se dedica a ajudar quem vai prestar concurso público ou mesmo vestibular. Aplicando conceitos explicados anteriormente, o prof. Pierluigi mostra como um candidato pode otimizar seu tempo de estudo com o máximo de rendimento.


De todos os temas abordados, esse é o que ele trata com mais propriedade, graças a seus mais de 100 mil alunos acumulados em cinco décadas de trabalho em cursinhos pré-vestibular.


Os quatro livros foram lançados originalmente entre 2008 e 2013, isoladamente. Em 2014, foram revisados e organizados na forma de uma mesma coleção.


Os volumes 2 a 4 podem soar muito específicos e os conceitos principais se repetem, com maior ou menor profundidade, dependendo do volume. Porém, a leitura ordenada dos volumes 1 a 3 é altamente recomendada para qualquer pessoa que deseje aumentar sua capacidade de aprendizado e passar esses ensinamentos adiante. Se for vestibulando ou concurseiro, o 4 é tão importante quanto os outros. Na dúvida, leia todos.


Além de todo o aprendizado que se obtém com cada livro da coleção, a leitura em si é deliciosa. Para quem viu suas palestras, mesmo pela Internet, fica claro que Pierluigi escrevia como falava e era apaixonado pela arte de ensinar. E certamente essa impressão deve ser ainda mais intensa para quem teve o prazer de ter sido seu aluno ou de ter convivido com ele.


O ritmo das frases, a ênfase nas palavras certas, o tom de desabafo e indignação em vários momentos, tudo isso praticamente salta das páginas. Durante a leitura, é possível imaginar o mestre falando alto e de forma bem expressiva, como bom italiano que era. É uma leitura deliciosa em forma de prosa altamente instrutiva. Não podia ser diferente, vindo de alguém que defendia que a pessoa deve ler muito, e só lê muito quem lê por prazer.

O Prof. Pier, com um livro sobre uma

de suas paixões: Jornada nas Estrelas.


Sobre o autor:


Nascido na Itália em 29 de janeiro de 1943, Pierluigi Piazzi veio ao Brasil ainda garoto e teve várias profissões. Tornou-se famoso como apresentador da Rádio Jovem Pan e trabalhou durante 50 anos como professor de Física em cursinhos pré-vestibular. Escreveu livros, percorreu o país proferindo palestras e ajudou a fundar a Editora Aleph, referência em ficção científica no Brasil.


Apaixonado por literatura fantástica, também adorava o seriado Star Trek - Jornada nas Estrelas e participava do antigo fã-clube brasileiro Frota Estelar. Fez do ensino uma missão de vida e ensinava com paixão e total entrega ao ofício de ensinar.


Ele dizia ser de esquerda, muito mais por temer um capitalismo sem ética e explorador do que propriamente por se alinhar às políticas e bandeiras do socialismo. Era a favor da retomada da autoridade dos professores, a favor da redução da maioridade penal e totalmente contra as cotas raciais, que ele considerava uma forma de racismo. Era, no fundo, um conservador consciente e visionário. Provavelmente, estaria comentando com seu estilo direto e afiado as mazelas políticas e sociais que têm ocupado os noticiários.


O prof. Pier faleceu em 22 de março de 2015, devido a um câncer. Ele tinha 72 anos e deixou uma lacuna impossível de se preencher no cenário educacional brasileiro.


::: E X T R A S :::

Confira dois vídeos onde o grande mestre fala sobre suas ideias, embasadas em muitas pesquisa e vivência prática. São gravações feitas de forma amadora, mas valem pelo precioso registro das palavras.


1) "Estamos criando uma geração de deficientes mentais!"


2) "Eduque seus filhos para a vida."


Para finalizar, duas declarações do filósofo e escritor Olavo de Carvalho sobre o professor Pier, uma delas por ocasião de seu falecimento:


- Tudo o que o prof. Pierluigi Piazzi observou no seu campo de experiência pessoal sobre a queda vertiginosa da inteligência dos brasileiros nas últimas décadas é hoje um dado científico incontornável: o Brasil é o único país do mundo onde o Q.I. médio cai sem parar há quarenta anos. Cada brasileiro, antes de abrir a boca para dar palpite, deveria pensar: "Será que não estou apenas engrossando a estatística?"

- O prof. Pierluigi Piazzi, recém-falecido, lutou como um leão contra o socioconstrutivismo, que destruiu a inteligência das crianças brasileiras. Que Deus pague a dívida que o país nunca lhe pagou.

- Olavo de Carvalho

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