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República Bolivariana do Brasil

Por Evandro F. Pontes



Uma das maiores bravatas do "Centrinho", esse Imbecil Coletivo oriundo de franjas do bolsonarismo com pitadas de Dicionário das Citações de Paulo Rónai, repousa no postulado "ou votamos no Oswald de Souza de Xiririca, ou o Brasil vai virar uma Venezuela".


Lembrem-se, em primeiro lugar, que países comunistas pra valer não tem racialismo, não tem lbgtismo, nem feminismo e nem a tal ideologia de gênero. Isso são pautas do liberalismo, aquele mesmo liberalismo que colam ao lado do "conservadorismo" para fazerem institutos cheio de graça com os "amigos de sempre".


E a razão pela qual o voto tem de necessariamente ir para o Pareto do Ribeira de Iguape é que, sendo ele a única alternativa e o único capaz de aplacar a fúria dos secretários e corretores do Foro de SP (leia-se, o Centrão), é justamente neles (o Centrão) que devemos depositar nossa confiança para que o Foro de SP não volte. Sim - esse mesmo Centrão que durante 13 anos de PT, ajudou o Foro de SP de todas as formas a levar dinheiro daqui para Cuba e Venezuela.


Além disso, como diria São Tomás de Maquiavel Londrinense, a política se mede por resultados, qual seja, por fins, que justificam os meios e a presença de tantas "virgens em prostíbulos" (até hoje não sei de onde saem tantas virgens...).


Não! Não é por causa de monetização em canaizinhos nem por causa de público que prefere acompanhar o Olavo em memes do que ler o Jardim das Aflições ("mucho texto", dizem esses doomers) - é tudo pelo resultado político que o Messias da vacina representa: uma espécie de "colete à prova de balas bolivarianas".


Viu: alguém acha que essa parcela de eleitores tradicionalistas é trouxa? Acha que não estão enxergando o briefing do Centrinho?


Vamos, por complacência, adotar essa premissa do Nicolau de Aquino e aceitar analisar resultados (mais uma vez).


Antes porém, lembremos: o movimento comunista é essencialmente um sistema político que busca o controle total, absoluto e hegemônico - nesse sentido, mocinho do Briefing, a ideologia de gênero "atrapalha" o comunismo. Eles até tomam de empréstimo esse tipo de pauta liberal provisoriamente, mas na hora que o Bolívar de plantão toma o poder, vai completamente para as calendas qualquer compromisso com "meio ambiente", "LGBT", "muié" e outros temas que vulgarmente tem se achado como parte da agenda comunista. Não são. É tudo isca no contexto comuno-socialista. Basta ver qual o compromisso da China com esses temas: meio-ambiente, LGBT e presença de mulheres no PCCh ou no Parlamento Chinês.


Dito isso e agora tendo em mente que o controle hegemônico é o que pretende um comunista (por isso a sanha por partido único), voltemos então para a análise de resultados. Destes, extrai-se que o caminho determinante para a obtenção desse controle está no inchaço do Estado.


Ao aumentar o tamanho do Estado e transferir todas as relações jurídicas de todos os cidadãos para dentro do Estado, o golpe comunista terá se completado. Eles podem até usar o "casamento gay" para trazer as pessoas para dentro da tutela do Estado, mas mais cedo ou mais tarde, abrem mão dessas "ideologias burguesas e liberalizantes" para manter um Estado forte. Nesse sentido, o "casamento gay" traz as pessoas para dentro do Estado, mas nunca, jamais e em hipótese alguma, será garantia de manutenção delas dentro desse Estado que as coptou. O gay de hoje é o idiota útil de ontem (e, muito cá entre nós, de sempre).


Se tiverem dúvidas, estudem sobre o tema em paraísos do comunismo como Cuba, China e Coréia do Norte.


Na análise de nossos resultados aqui no Brasil, pasmem - no governo Bolsonaro esperava-se que o tamanho do Estado diminuiria. E não foi o que aconteceu ao longo desses últimos três anos.


Bolsonaro é bom de discurso contra os comunistas, sobretudo no cercadinho (desde que não envolva aritméticas de percentagens), mas na prática faz coisas maravilhosas por eles e também pelos liberais.


O governo Bolsonaro, em comparação com os governos anteriores (incluindo os governos-tampão de Temer e Itamar) é o que menos privatizou de todos. Até Lula privatizou mais que Bolsonaro.


Foi no governo Lula que tivemos a privatização de trechos da BR-116 e de trechos da Ferrovia Norte-Sul. Lula também privatizou os bancos estatais do Ceará e do Maranhão, além da Hidroelétrica de Santo Antonio, do Jirau e a linha de transmissão Porto Velho-Araraquara. Não tomem isso como um elogio ou uma bandeira de "volta Lula". Não, não é isso que estou dizendo. Estou apenas mostrando que até o mais abjeto dos políticos de esquerda teve o cuidado de disfarçar mais o seu estatismo do que Bolsonaro. Até a companheira Dilma privatizou mais que Bolsonaro: foi ela quem privatizou o aeroporto do Galeão, Viracopos e o de Guarulhos, além de outras dezenas de estradas e ferrovias.

Só nesse campo de estradas e ferrovias, o governo de Bolsonaro, pelo braço amigo e mão forte do Ministro Tarcísio, fez exatamente o oposto e promoveu quilômetros e quilômetros de rodovias construídas e reformadas pelo Estado. Todos elogiam a marca asfaltante do Ministro Tarcísio, mas ninguém pára para lembrar: "ei, esse cara está aumentando a presença do Estado no campo da logística e das estradas, oraporra!".

Em termos de privatização, Bolsonaro não apenas segue no 0x0, mas já fez uns gols contra - o CEAGESP, a Petrobrás, a Caixa, o BNDES são apenas alguns dos exemplos em que a sanha de estatista (e não de "estadista", viu Carla Perez do Centrinho...) se faz presente.


Sim - Bolsonaro é um grande "estatista" (e não é que a danada estava certa?): na cultura, por exemplo, ninguém despejou tanto dinheiro público via Aldir Blanc em um único ano quanto o Messias de Xiririca - nem mesmo Gilberto Gil com a Rouanet jogou tanto dinheiro na cultura em 8 anos quanto Bolsonaro em 1 ano de Aldir Blanc: desde que foi criada em 1995 a Rouanet já consumiu R$51 bilhões dos cofres públicos, coisa de R$2 bilhões por ano, algo em torno de R$163 milhões por mês. Em relação a Aldir Blanc, só no estado de São Paulo foram consumidos em um único mês algo em torno de R$180 milhões. Tocantins, por exemplo, já consumiu algo perto de R$50milhões. O total da brincadeira dessa intervenção do Estado na cultura já ultrapassou os R$3 bilhões, coisa que nem o momento mais desavergonhado da carreira de Gilberto Gil pode imaginar possível.


Óbvio que não vou tratar aqui da intervenção do Estado na saúde, pois vivemos um período atípico de pandemia com coisas estranhas aparecendo em CPIs pra lá de esquisitas, mas até no futebol Bolsonaro fez um governo mais interventor do que os anteriores: se meteu em quotas de campeonato brasileiro e na sede para disputa da Copa América, como se estivesse fazendo um bem ao se meter em uma relação privada dos clubes com as empresas de TV.


No campo da educação, então, nem se fala - absolutamente nenhuma universidade pública foi incomodada. Pelo contrário, cresceram, em detrimento do ensino privado e do homeschooling e, sobretudo, do ensino confessional. Este já está em vias de desaparecer em pleno governo "liberal-conservador" de Jair Bolsonaro. Aquela ideia marota do "escola sem partido" se tornou praticamente um combustível para as "escolas do PT". Isso tudo é obra do governo Bolsonaro, sobretudo da gestão pós-Abe no MEC. Some-se a isso o Fundeb e outras marcas que colocam o bode do Estado dentro das salas de aula.


Em relação ao homeschooling, a situação ainda é pior: os Ministros "Miltão da Educação" e a Ministra "Maria Joana" Damares fizeram questão de usar a Gestapo do MDH, os conselhos tutelares, para dizer que o homeschooling só seria possível se o Estado (leia-se BNCC) estivessem presentes nas iniciativas, o que praticamente fuzila qualquer iniciativa confessional de retorno do trivium e do quadrivium ou mesmo liberal, voltada para ensinar "empreendedorismo" ou ciências da administração sem precisar perder tempo com "geografias humanas" ou "matemáticas bolso-descendentes".


A cereja do bolo do Centrinho está, entretanto, na economia.


Paulo Guedes, o liberal que defende assistencialismo (porque seria "barato") e CPMF, depois de um bom ano de 2019 por causa da reforma da previdência, entrou de cabeça no briefing e começou a dançar inúmeras valsas de intervenção estatal na economia. Deixemos aqui, também, a Petrobrás de lado (dilmismo bolsonarista que o Imbecil Coletivo do Centrinho não gosta de comentar muito), mas foquemos no assistencialismo, na reforma tributária e nessa nova reforma ministerial.


Sobre esta, ninguém está falando, mas ao se criar um Ministério para manejar os R$800bilhões de economia conseguidos por Guedes na reforma da previdência, Bolsonaro transferiu 85% dos recursos para as mãos do Centrão. Mais grave do que arrumar uma bocada para o amigo Onyx, é dar acesso às economias da reforma da previdência para um bando de cupins.


O assistencialismo explodiu: não apenas os vouchers de pandemia, mas a multiplicação de programas de dependência estatal, o inchaço de seu tamanho e praticamente a sedimentação da cultura de dependência absoluta do estado são marcas do governo Bolsonaro. É neste governo que temos assistindo o ingresso da segunda geração no Bolsa Família: filhos de beneficiários, que deveriam ter estudado para tirar os pais dessa situação de miséria, passam, eles mesmos, a ingressar no Bolsa Família, seguindo a sina de dependência de suas gerações anteriores. A bravata de que o assistencialismo é algo provisório praticamente se sedimentou como parte da cultura brasileira e hoje, muitos dizem, não há mais como tirar essa marca do parasitismo estatal, que olha para o Bolsa Família com essencialidade superior à da Santa Missa aos domingos.


Na reforma tributária, então, aumentando a carga fiscal de empreendedores (sobretudo os micro e pequenos empreendedores), com falso mote de buscar o fim da "pejotização das relações", o governo descarrega toda a sua sanha arrecadatória para beneficar o Centrão em cima do lucro, dos dividendos, das "grandes fortunas" e de outras marcas do capitalismo não especulativo. A reforma tributária de Guedes é o maior ataque ao capitalismo dos últimos 60 anos (talvez só comparável às ameaças de Jango com as suas "reformas de base").


Nem mesmo Lula ou Dilma conseguiram ir tão longe nesse ataque ao capitalismo por via tributária, investindo contra as distribuições de dividendos e lucros (a essência do capitalismo não-especulativo, qual seja, o capitalismo de puros resultados) e, sobretudo, em cima do capital acumulado e que é usado para oxigenar a economia e os mercados de capitais. Repito: nem Dilma e seu Ministro Mantega foram tão longe quanto Guedes tem ido nessa cruzada contra o capitalismo clássico e as premissas básicas do próprio liberalismo econômico.


Eu poderia passar aqui dias redigindo mucho, mucho, mucho texto para demonstrar como a presença do Estado em nossas vidas aumentou demais durante o governo Bolsonaro nos aproximando do ideal de estado cubano ou chavista, mas ainda posso lembrar que um outro pilar do comunismo é a censura, a propaganda (agitprop) e o total aniquilamento da liberdade de expressão.


Tem sido no governo Bolsonaro que a liberdade de expressão vem sendo massacrada. E não me venham dizer que isso é obra do STF - quem instalou e gere, nos bastidores, os inquéritos das "fake news" e o extinto dos "atos antidemocráticos" foi o Ministro Dias Toffoli, com quem Bolsonaro tem amizade a ponto de comer pizza para assistir jogos do Verdão lado a lado em sua residência. Alexandre de Morais é o delegado desses inquéritos, mas quem os instalou foi o amigo Toffoli. Diga-se de passagem, o recém indicado para o STF, futuro Ministro Mendonça, já se declarou ampla e aberta favorável aos inquéritos em questão, bem como simpático a banheiros LGBT em uma recente decisão da Corte quando ainda atuava como AGU.


Nessa parte de liberdade de expressão, estamos muito, muito, muito mal.

E o governo Bolsonaro não apenas deixou de evitar que inúmeras violações fossem cometidas, mas trabalhou em auxílio delas. Hoje, é fácil notar - o "acabou porra" era para quem queria fazer meme e não para quem era alvo deles e mandava a polícia investigar os memeiros de plantão.


Logo, pelos resultados e pela total ampliação da presença do Estado em nossas vidas, com aumento de carga tributária, aumento de posturas policialescas, aumento de propaganda pro-governo destinada a esconder todas e muitas outras coisas aqui meramente comentadas (agitprop bolsonarista), não há porque temermos a venezuelização do Brasil. O certo seria os venezuelanos temerem a brasilização de Maduro, pelo lado cuckhold do socialismo de Centrão que é praticado por aqui. Maduro, ao menos, não é frouxo.


E a culpa disso não é do Centrão: é do Centrinho mesmo.





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