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Resenha do Livro: A virtude do Nacionalismo



Por RiPAdO


A virtude do Nacionalismo

Yoram Hazony; Tradução de Evandro Fernandes Pontes.

VIDE Editorial, 2019.


I- Introdução


Em meio á ascensão de Donald J. Trump, e ao desembarque Britânico da União Europeia, o Teórico Político Israelense Yoram Hazony insurge contra o Golias imperial da Mídia-Academia-Estamento Político em defesa da Ordem dos Estados nacionais livres.


Os esforços de Hazony são louváveis, a rejeição da ligação entre ódio e nacionalismo é muito bem-vinda. E a visão de um mundo de Estados Nacionais livres, cada um seguindo suas próprias inclinações e visão de mundo é admirável.


Porém, infelizmente para o Sr. Hazony (e felizmente para nós), nosso país produziu, contra todas as possibilidades, Olavo de Carvalho.


II- Nações e Impérios


O livro de Hazony é focado na oposição entre a liberdade das Nações, e o Império, que busca submeter essas últimas ao seu domínio. A Idade Média, para Hazony, foi marcada pelo imperialismo católico, enquanto que a reforma trouxe, á moda do Antigo Testamento, a liberdade ás nações anteriormente oprimidas por aquele.


Aqui, é necessário analisar os conceitos com mais detalhe. A época da reforma é, sem dúvida, o surgimento dos estados nacionais europeus. Mas, o império é, pelo menos na forma mais externa, a expansão de uma nação sobre outras.


Portanto, se vemos uma ou mais nações se rebelarem contra um império, isso pode dever-se a um anseio por liberdades nacionais, ou pelo anseio de cada uma dessas nações de encabeçar um império próprio.


Então, como entender por que “(...) mesmo os ingleses, holandeses ou franceses, que insistiram dentro do contexto, no princípio Westfaliano da independência nacional e da autodeterminação, estiveram todos preparados para encontrar razões para manter impérios coloniais (...)”?


Se queremos enxergar o surgimento dos estados nacionais como o surgimento do nacionalismo, devemos acreditar que ingleses, holandeses e franceses queriam o sistema de nações independentes, até que acordaram no dia seguinte querendo o total oposto.


Mas, se com Olavo de Carvalho entendemos o surgimento dos estados nacionais não como uma rejeição ao império, mas uma multiplicação dos candidatos a impérios, a história nos parece menos esquizofrênica.


III- Império e Religião


Hazony se confunde pois olha a Europa com olhar judeu. Vê de um lado o Protestantismo, que estando mais ligado ao antigo testamento, lhe é mais familiar, e é, portanto, nacionalista, como Israel. E do outro vê um Catolicismo, que é, imperialista.


Se Hazony olhasse a Europa a partir do Cristianismo, ou seja, do fato que a fundamenta, que é o mínimo que se espera de um estudioso, e de um defensor da legitimidade de diferentes nações e culturas, faria o seguinte raciocínio: “O cristianismo é, quer eu queira ou não, uma religião universal, possui uma mensagem para toda a humanidade.


Se o surgimento de Estados Nacionais cria Igrejas cristãs nacionais, não é por interesse do Cristianismo, mas das forças políticas europeias.”


Hazony não percebe que, tendo uma religião universalista, Católica ou Protestante, para chamar de sua, cada rei europeu tem uma ideologia universal que lhe serve de desculpa para a expansão imperial, além de poder ser moldada por ele para qualquer interesse seu.


É interessante que lhe escape que, se por um lado, a submissão de uma religião nacional, como o Judaísmo, a um projeto internacional seja a ela danoso, igualmente a submissão de uma religião universal a um projeto nacional é danosa. Contra o Judaísmo nacional, dissolve-se-o no império.


Contra o Cristianismo universal, amputa-se-o para que caiba nas camas de Procrusto das nações.


Assim, não podemos esperar que Hazony entenda o confronto entre o Império, ávido por uma religião civil, e o Cristianismo, ávido por um império religioso que lhe siga as ordens.


A etapa atual do império, a saber, a expansão do estado laico, contra o qual o estado nacional, mesmo que judeu, é no mínimo ineficaz, não lhe é compreendida senão muito superficialmente.


IV-Conclusão


Yoram Hazony oferece em “A Virtude do Nacionalismo” uma defesa eloquente dos Estados Nacionais livres e independentes. Porém, oferece pouco mais.