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RESENHA: MAQUIAVEL PEDAGOGO OU O MINISTÉRIO DA REFORMA PSICOLÓGICA

Atualizado: Jan 7

Por Mariana


Publicado pela primeira vez na França em 1996, o livro de Pascal Bernardin demonstra como uma ditadura sorrateira está sendo operada no mundo inteiro através da educação escolar. Sem que as famílias ou os próprios alunos saibam e consintam com os ideais dos “agentes transformadores” (os professores), as escolas impõem um novo padrão de comportamento e de atitudes por meio de uma agenda implantada na base dos currículos pedagógicos. Com o objetivo de inculcar uma “nova ética” às crianças e aos jovens, a escola redefine assim o seu papel educacional de forma invasiva e

antidemocrática, em nome de uma aparente “inovação positiva”, que se estabelece a partir do modelo globalista de órgãos internacionais, a exemplo da Organização das Nações Unidas para a Educação (UNESCO) e da Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Econômico (OCDE).


A “nova escola” se propõe a retirar a formação liberal do aluno, substituindo o ensino

clássico da transmissão de conteúdos por uma formação social, que se define holística ou “integral”.


Essa educação, supostamente melhor, possui a característica de ser “centrada no aluno”, cujas crenças e valores individuais se intercambiam pelo espírito de coletividade. Essa unificação mental de grupo, aos moldes de um rebanho, submete-se a um padrão moral questionável, ditado pelos indivíduos integrantes do estamento burocrático da Nova Ordem Mundial (NOM), e que são também donos ou aliados da grande mídia quando não proprieários das mega corporações educacionais.


É através do método ativo que esse modelo de reforma educacional funciona, valendo-se de ferramentas da psicologia experimental desenvolvidas pelo polêmico behaviorismo, cujas técnicas psicológicas revelam-se numa verdadeira lavagem cerebral, que é implementada com sucesso a todos os alunos do sistema escolar pelas vias do psicodrama e dos projetos em grupo. Mais uma vez: tudo isso ocorre sem que os alunos e os seus familiares tomem conhecimento das modificações propositais e bem planejadas, implantadas em suas naturezas íntimas, obviamente, sem que tenha

existido uma licença ou permissão. Uma vez que essas técnicas de manipulação modificam pensamentos, atitudes e comportamentos, tal revolução psicológica conduz em seguida à revolução social, justificando-se pelo “multiculturalismo”, pela tolerância às diversas culturas, e pela “convivência pacífica” dos indivíduos na sociedade em escala global. Então, a pedagogia de Maquiavel, aplicada a partir dessa educação multidimensional e não-cognitiva, massifica a burrice porque não está interessada em desenvolver o intelecto dos alunos. Pelo contrário, esse ministério visa suprir funções sociais, fora do âmbito da inteligência e do direito à liberdade individual, a favor de uma

educação globalista que se impõe em todos os níveis educacionais nos campos ético, moral, social e cívico.


A obra do professor Bernardin denuncia que as reformas no sistema de educação nacional foram criadas no intuito de existirem de forma permanente, ou seja, elas nunca se acabam e se sustentam na dita “formação continuada dos professores”. Isto significa que o conhecimento, junto com a nova moral, estão em constantes atualizações e nunca se estabilizam ou se encerram. Dessa forma, inclusive, a moral e a ética são relativizadas. O autor leva o seu leitor a constatar que, antes, a escola tradicional ocupava-se em formar intelectuais, mas agora ela é rebaixada e degradada, chamada de “ultrapassada”, como se esta fosse uma verdade incontestável ou absoluta, substituída de vez pela

educação universal. Além de o modelo tradicional, que fez parte do processo civilizatório, ser trocado secretamente por esse projeto de educação perniciosa, invasora do território sagrado e privado do ser humano, por pertencer somente ao indivíduo e à sua família, e primeiramente, a Deus; a escola maquiavélica cria um ser humano ideal, logicamente, utópico- estranho e avesso aos valores e princípios cristãos.


Uma vez que Bernardin trata da revolução pela educação, que se manifesta na cultura porque os valores morais trazidos de berço são postos à prova e destruídos para a implementação da nova ética, ele não economiza evidências mostrando documentos pertencentes àquelas agências globalistas, do Parlamento francês, de conferências e seminários europeus, bem como de livros e artigos científicos de psicologia experimental. Segundo o autor, a essência da ditadura psicopedagógica é

criptocomunista, isto é, trata-se da filosofia e da religião comunista, entretanto, ela não deve ser identificada e muito menos explicitada porque se encontra camuflada. Logo, deve ser negada e mantida em segredo. O autor cita Lênin para exemplificar, “é preciso [...] estar disposto a todos os sacrifícios, e inclusive, empregar - em caso de necessidade – todos os estratagemas, ardis e processos ilegais, silenciar e ocultar a verdade” (p.12); e desenvolve o conteúdo do livro ao longo de quatorze capítulos,

iniciado com a “manipulação psicológica” e finalizado com “o totalitarismo psicopedagógico”.


Na introdução, o professor explica que os IUFMS (Institutos Universitários de Formação de Mestres) franceses foram criados a partir de resultados de pesquisa pedagógica obtidos pelos soviéticos e pelos criptocomunistas norte-americanos. Primariamente, os institutos têm o objetivo de inculcar esse programa unificador nos próprios professores para transformar-lhes em agentes transformadores, quando inscritos nos programas de formação continuada oferecidos pelo Estado.


Primeiro, eles aprendem e depois ensinam aos seus alunos como “aprender a aprender”, tornando-se verdadeiros propagadores orgânicos da revolução cultural e psicológica dentro das escolas. Posteriormente, eles formam alunos nos grupos, capazes de alcançar patamares mais elevados de conduta e comportamento; leia-se, a revolução social utópica e comunista. Bernardin destaca os seguintes traços mais relevantes dessa revolução pedagógica: a) testes psicológicos, projetados ou já realizados, em grande escala; b) informatização mundial das questões do ensino e, particularmente o senso (ora em curso) de toda a população escolar e universitária, a pretexto de “aperfeiçoamento do ensino”; c) asfixia ou subordinação do ensino livre; d) pretensão a anular a influência da família.


Ele aponta que a pré-escola também foi modificada para substituir as séries por ciclos, reunindo alunos de diferentes níveis, tal como acontece no Brasil, através da meta contida na lei que regulamenta o Plano Nacional de Educação (PNE), a famosa Base Nacional Comum Curricular (BNCC).


O professor insiste que a nova educação trata da questão criptocomunista porque a UNESCO retomou os trabalhos desenvolvidos na antiga União Soviética há quase um século. A entidade internacional, de acordo com ele, “traz si as marcas dessa origem (...), posterior à desaparição da cortina de ferro”.


O primeiro capítulo demonstra que desde a década de 80 as técnicas psicológicas e de lavagem cerebral já fornecem resultados consideráveis. Se este tempo for trazido para os dias de hoje, desde a época em que o livro foi primeiro publicado, fala-se não mais em 30, mas aproximadamente 56 anos Os métodos de modificação psicológica são ensinados nos IUFMS de forma “semivelada”, até porque apoiam-se na psicologia do engajamento e no behaviorismo. Basicamente, os experimentos tratam-se de provocar na pessoa atos aliciadores (indesejáveis) e atos custosos (engajamento) até que

ela não se incomode mais em agir de acordo com aquilo que não quer ou de acordo com aquilo que não acredita, adquirindo, dessa forma, novos hábitos e valores. Os principais experimentos e resultados narrados no livro são:


1. Submissão à autoridade− pretende demonstrar qual é a influência das punições no aprendizado através de descargas elétricas de 15 a 450 volts. O suposto aluno seria submetido à tal eletricidade, e o professor seria o responsável em aplicar as descargas elétricas toda vez que ele errasse, moderando de acordo com o seu “erro”, aumentando progressivamente. Ainda que os choques elétricos e demais envolvidos na pesquisa fossem fictícios, ela demonstrou que mais de 60% dos professores a conduziam até o fim, provando-se verdadeiros agentes de um processo de destruição.


2. O conformismo− o indivíduo escolhe respostas erradas porque outros as escolhem, ainda que ele saiba que a resposta correta não seja a escolhida por ele, em virtude da presença de pares. Na ausência do grupo, o indivíduo acerta 92% das vezes, ao invés de errar 32% sob a pressão do grupo.


3. Normas de grupo: um teste de influência demonstra que o sujeito ingênuo modifica ou troca a sua norma pela norma do companheiro com “mais prestígio”, imagem construída pela opinião de um grupo, ainda que não seja verdade.


4. Dissonância cognitiva ou espiritualismo dialético: “é uma contradição entre dois elementos do psiquismo de um indivíduo”, cujo experimento nos “permite perceber o quanto nossos atos podem influenciar nossas atitudes, crenças, valores ou opiniões”. Em uma sala de aula, por exemplo, a tendência do aluno é concordar com o professor e seus pares a fim de reduzir a “tensão que lhe oprime” (p.23). O sujeito não concorda ou não quer fazer determinada ação (aliciamento) por estar em contradição com os seus valores, mas acaba praticando o ato (engajamento), racionalizando-o, para que tudo fique em harmonia ou em “paz” naquele ambiente.


5. Iniciação sexual de moças: na área da psicologia sexual, mulheres são divididas em três grupos de acordo com o tipo de iniciação (severa, superficial e ausente) e induzidas a discutir um tema de forma desinteressante. Constatou-se que quanto maior o investimento psicológico, maior a aceitação. As moças que participaram do grupo com técnicas de aliciamento (“iniciação severa”) ao final, disseram que “gostaram” da experiência, ainda que tediosa, isso porque tornaram-se envolvidas ou engajadas através da preparação e da prática.


6. Dramatização: “constatou-se experimentalmente que uma dramatização, em que pese seu caráter aparentemente lúcido, é capaz de provocar dissonâncias cognitivas e as subsequentes alterações de valor. A identificação ativa ao papel assumido (assim como no método ativo da escola nova) é suficientemente forte para aliciar o ator” (p.29). Base do psicodrama ensinado nos IUFMs, esta técnicaconstitui poderoso método ativo de uso comum ao declarar-se praticamente “terapêutico”, uma vez que organiza atores em papéis distintos nas dinâmicas de grupo com a finalidade de “descobrir” e “clarificar

valores” que eles já possuem, dessa forma, ressignificando diversas situações.


7. Decisão e discussão: possuem alto potencial para promover o engajamento. Apresentadas como mero “exercício de comunicação”, ensinadas nas IUFMs, constituem das mais poderosas técnicas para promover dissonância cognitiva.


8. Avaliação (dos alunos e professores): meio extremamente eficaz de internalizar valores e atitudes.


“Sob a forma de autoavaliação, ela acrescenta o engajamento do sujeito à sua avaliação” (p.30). Os experimentos descritos no livro são chocantes. Eles cruzam a fronteira da ética e moral cristãs em que os seres humanos devem ser tratados exatamente por quem são, “imagem e semelhança” do próprio Deus (Gênesis 1:26). Essas técnicas de lavagem cerebral são perigosíssimas e estão sendo aplicadas nas escolas mundo afora, inclusive no Brasil, cuja educação volta-se à formação social, sob os paradigmas da filosofia e pedagogia funcionalistas. Para ilustrar, em vez de submeter-se a uma avaliação para testar seus conhecimentos, o aluno é obrigado a socializar com seus colegas nos trabalhos em grupos e discussões abertas (considerados métodos ativos sob o pretexto de conferir protagonismo, motivação e significado às aprendizagens escolares), cujo assunto não lhe agrada porque ele é cristão. Imaginemos falar de sexualidade ou de homossexualismo, discutir, encontrar “perguntas e repostas”, refletir acerca de temas que lhe são caros e de foro íntimo.


Continuemos a imaginar que o professor exija a dramatização de um ato, valendo nota, que envolva a troca de papéis entre os sexos, onde ele precisará ser uma mulher. O que acontecerá ao estudante, ao negar-se a participar da encenação? Será que será atribuído a ele a pecha de “preconceituoso”, ao passo que apenas se tratava de ir contra a sua vontade individual e de seus valores morais e religiosos, trazidos de casa? Agora, cogitemos um passeio escolar a um museu onde a principal atração é homem nu cercado por crianças pequenas que são instruídas a tocá-lo, se assim desejarem. Inicialmente, elas não desejam se aproximar muito daquele homem. Entretanto, uma delas foi preparada a encostar nele e acaba executando a ação. Em seguida, as outras estarão compelidas a imitar a primeira que tomou a iniciativa, e sob pressão, todas elas acabam por se engajar na “exibição viva”. Muitas instituições escolares e culturais desejam convencer a sociedade de que se trata apenas de arte, escondendo a sujeição de crianças indefesas ao domínio de uma psicopedagogia Maquiavélica.


CONTINUA...