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Resenha: Os Quatro Pilares da Independência do Brasil, de Evandro Pontes.

Por Victor Domingues



“Sem missão não há homem”. Ortega y Gasset.



No ano que antecede o bicentenário da Independência do Brasil, coube ao jurista Evandro Pontes a missão de trazer aos brasileiros o mais importante trabalho de resgate cultural dos verdadeiros heróis da independência. Mas não foi só isso.


O livro “Os quatro pilares da Independência do Brasil” traça um arco histórico que remonta aos gregos clássicos, passando pelos primeiros Santos padres da Igreja Católica, vindo a desembocar no processo de salvação dos restos culturais de uma Europa devastada pelo iluminismo absolutista.


A tese, sustentada de forma originalíssima por Pontes, liga as principais personalidades da Independência do Brasil – D. João VI, Dom Pedro I, Princesa Leopoldina e Freis Francisco Arrábida e Francisco Sampaio – às quatro virtudes cardeais: a temperança, a coragem, a justiça e a sabedoria.


Poder-se-ia opor à tese de Pontes objeções de caráter retórico, por certo excesso de abstrações ou generalizações que abundam em trabalhos do gênero histórico. Especialmente no Brasil, dada a esterilidade dos “historiadores” revisionistas e panfletários que tomam conta do mercado editorial.


Nenhum desses vícios acomete o livro “Os quatro pilares da Independência do Brasil”. A obra de Pontes é vastamente documentada, com um belíssimo repertório iconográfico que, propositalmente ou não, foram apagados tanto da memória dos Brasileiros, como dos livros didáticos.


Pontes não deixa qualquer espaço para dúvidas. A estratégia joanina de legar ao Brasil o papel de fiel depositário da civilização ocidental foi, antes de tudo, um projeto cristão, abençoado pela tradição católica, monárquica e patriótica, sob real ameaça da aniquilação bonapartista.


A tese – provada e comprovada no decorrer do livro – não poderia ser construída sem a destruição dos mitos. Nossos heróis da independência foram as primeiras vítimas do assassinato de reputações que se tem notícia, articulado por mais de 200 anos de material difamatório, construindo com base em fofocas (hearsay) e novelinhas com verniz acadêmico. Evandro Pontes redimensiona o tabuleiro da história, e coloca cada peça no seu lugar: o rei no lugar do rei, o peão no lugar do peão.


Como bônus, e para além do lugar-comum em que se deitam todos as obras sobre o processo da independência, Evandro Pontes traz um magnífico trabalho acerca do papel do Convento de Santo Antônio e dos Freis Francisco Arrábida e Francisco Sampaio sobre a família real. Um ponto absolutamente esquecido para maioria dos brasileiros.


É isso, meus amigos. Evandro Pontes, já consagrado na literatura jurídica especializada, entregou aos brasileiros muito mais do que exigia a missão que lhe foi confiada. Trabalho sério, oblato e profundo. Mais do que um desagravo à memória dos nossos heróis, um presente às futuras gerações.


Victor Domingues


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