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Revolução “silenciosa”: referente mudado, povo escravo.

Por Anna Giacon


Recentemente na Holanda, um grupo de teológas feministas se opuseram mediante à nova tradução da versão holandesa da Bíblia, a NVB (Nieuwe Bijbelvertaling), alegando que ao referir-se a Deus como “Ele” (com letra maiúscula) ocorreria uma enfatização – errônea, no ponto de vista do grupo – na figura patriarcalista de Deus.


Episódios como esse têm sido frequentes de algumas décadas para cá, devido ao fenômeno da novilíngua, apresentado e citado quase que como uma previsão por George Orwell em seu livro 1984. O autor basicamente explica que a novilíngua consiste na remoção de algumas palavras que não poderiam ser usadas por não serem totalmente “adequeadas”.


Em tempos contemporâneos, o fenômeno da novilíngua se manifesta no cenário atual através das palavras que foram ou estão sendo substituídas ao longo do tempo por outras que quase nunca apresentam o mesmo signficado, tal como no caso da palavra patriarca que tem como signficado primitivo: “chefe de família; aquele que, por ser o mais velho de uma grande família, merece respeito, obediência ou veneração”, ou “aquele que chefia uma família, vivendo honrada e pacificamente.” Ainda, de acordo com a Bíblia, Abraão, Isaque e Jacó foram os patriarcas da nação hebraica, representados como homens cujo exemplo de conduta honrava a Deus.


Apesar de patriarca ter como referente inicial o apresentado acima, os progressistas vêm fazendo um enorme esforço para a mesma assumir uma denotação negativa e pejorativa, como se o patriarca, em vez de respeitoso e honroso, fosse na verdade alguém – mais especificamente o indivíduo do sexo masculino – sexista, o qual não respeita os seres do sexo feminino e que impõe sua forma de dirigir uma família ou um sistema, consequentemente , trazendo para o campo politíco a afirmativa de que o “patriarcado” precisa ser derrubado. Mas o que seria patriarcado?


O patriarcado em sua origem significa a forma de organização de uma família, tendo como chefe a figura paterna. Se isso for levado em consideração, os grandes patriarcas da Bíblia conduziam suas famílias através do “patriarcado”: provendo, protegendo e sustentando suas famílias de maneira fiel a Deus e aos integrantes do núcleo familiar. Em contrapartida, na época atual, o termo patriarcado teve seu referente reformulado pelos adeptos da novilíngua e agora representa uma forma de governo opressora para com aqueles à sua volta, essencialmente às mulheres.


À medida que os movimentos progressistas vão tomando mais espaço, a novilíngua tem se tornado cada vez mais frequente, desde a transformação do termo “aborto” para “direito reprodutivo da mulher” – que consiste na modificação do significado “assasinato de bebê no útero” para um termo mais ameno: “direito de escolha da mulher” – até as discussões para tornar o abuso sexual de crianças – pedofilia -como uma opção sexual e não um crime.


George Orwell também proferiu que a linguagem poderia ser usada como meio de controle exercido por uma parte “iluminada” da sociedade a fim de dominar a população, por meio da reformulação do referente. O professor Olavo de Carvalho ilustra bem esse fato: “Na discussão política, e em geral na linguagem jornalística, o uso de significados sem referentes é um hábito auto-hipnótico com que o emissor da mensagem persuade a si mesmo, e ao seu público, de que está dizendo alguma coisa quando não está dizendo absolutamente nada.” O uso da linguagem para o movimento revolucionário é sobremaneira importante de maneira que, para o filósofo marxista Antonio Gramsci, a revolução não será feita pelas armas, mas pela construção da hegemonia intelectual e profissional dos meios sociais, de modo a transformar o marxismo em um consenso invisível. E isso, com a ajuda do controle da linguagem através da novilíngua.


O jornalista brasileiro Cristan Derosa em seu livro A Transformação Social – como a mídia de massa se tornou uma máquina de propaganda pontua que “desde o fim do século XIX, os estudos sobre psicologia das massas vinham sugerindo a possibilidade do controle das emoções massivas para o uso da política, mas apesar de alguns ensaios no campo da publicidade, literatura e revistas, a maioria dos conhecimentos sobre o assunto restringia-se a teorias hipóteses com pouca comprovação, a exceção dos testes de Pavlov e outros poucos” mostrando que a psicologia também influenciou na expansão do fenômeno da novilíngua.


Palavras como “patriarca”, “machista”, “assédio”, “fascista” ou expressões como “instituições democráticas”, “aborto” ou até mesmo “leite materno” vêm perdendo seus sentidos em essência – referente – e sendo moldadas para um signficado alternativo adaptado; sobretudo, pela mídia e pelas organizções sem fins lucrativos, com o propósito de instaurar uma agenda revolucionária e globalista, a qual se utiliza da técnica Advocacy para pautar a sociedade em favor do interesse público.

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