• Bruna Lima

Rodrigo Constantino é demitido da Jovem Pan e da Record

Outras emissoras também optaram pela saída do jornalista após opinião sobre o caso Mariana Ferrer viralizar

Imagem: Canal do Rodrigo Constantino / Youtube


O jornalista e analista político Rodrigo Constantino foi o cancelado da vez. Após publicar vídeo em seu canal no Youtube, no qual deu sua opinião sobre o caso Mariana Ferrer, a rádio Jovem Pan e a TV Record optaram por desligar o jornalista em seus quadros de funcionários. Até o fechamento desta matéria, outros veículos decidiram romper o contrato com Rodrigo: Rádio Guaíba e o Correio do Povo.


Um trecho em especial chamou a atenção dos progressistas de plantão e causou alvoroço nas redes sociais, no que definiram como "apologia ao estupro". Veja a seguir:



Foi o suficiente para que figuras como a cantora Anitta, e a jornalista e conhecido desafeto de Constantino, Vera Magalhães, marcassem presença nas discussões. Em um dos vários comentários da autodenominada "malandra", ela disse: "coitada da sua filha... E de você que nunca vai saber quem são seus filhos de verdade, 'pq' nunca que vão compartilhar a vida deles com um ser vivo desse (sic)". Veja a resposta na íntegra:


Laura Constantino, filha do escritor, veio à público se manifestar, uma vez que foi indiretamente citada por Anitta (imagem acima). "Ter que ler uma coisa assim do meu pai, realmente me abalou muito. Muita gente que está vendo esse vídeo não concorda com o que ele fala, não gosta dele, mas realmente eu tenho certeza que se uma coisas dessas acontecesse, ele iria ficar do meu lado. Só precisava falar isso".

"Ter que ler tanta gente falando que eu tenho um pai a favor do estupro e coisas assim não tem como, porque eu sei que ele não é (...) Eu conheço meu pai e sei que ele tem caráter e é contra o estupro, como qualquer pessoa que tem caráter é. Ter que ler uma coisa dessas mexeu muito comigo", completa a jovem.


Já Vera Magalhães, que chegou a zombar do relato da ministra Damares sobre os estupros que ela sofreu na infância em plena programação ao vivo na Jovem Pan sem mais consequências à sua carreira, resolveu se "importar" com o caso de Mariana, Ela também aproveitou a oportunidade para marcar o perfil da rádio, como de praxe em seus ataques virtuais .


Nem todos ficaram contra Rodrigo Constantino. A deputada federal Bia Kicis (PSL-DF) disse que "admira a coerência e a coragem (de Constantino) de dizer o que pensa".

Ela também fez uso de sua popularidade para, como sempre, subir uma hashtag (MulheresComConstantino), que chegou ao terceiro lugar nos trending topics do Twitter.


Até mesmo o professor e filósofo Olavo de Carvalho, com quem Constantino teve divergências e brigas públicas, trocou ideias com o analista político e manifestou apoio, em uma sutil tentativa de bandeira branca entre ambos.


Posicionamentos


Em nota divulgada na terça (04), o Grupo Jovem Pan disse que "desaprova veementemente todo o conteúdo publicado nos canais pessoais e apresentado na live em questão". e reafirmou que as opiniões dos comentaristas da casa são "independentes e necessariamente não representam a opinião do Grupo Jovem Pan". Leia:


A TV Record também se posicionou sobre o desligamento de Rodrigo da emissora. "Apesar de ter garantias de liberdade editorial e de opinião, o posicionamento adotado por Constantino não compactuou com o nosso princípio de não aceitar nenhum tipo de agressão, violência, abuso, discriminação por questões de gênero, raça, religião ou condição econômica",


Outros veículos nos quais o jornalista trabalhava, como a Rádio Guaíba e o Correio do Povo, também optaram por demiti-lo, mesmo após a publicação de um vídeo de esclarecimento do jornalista.



Caso Mariana Ferrer


A digital influencer Mariana Ferrer acusou o empresário André de Camargo Aranha de tê-la estuprado em uma festa no clube de luxo Café de La Musique, ocorrida em 2018, em Florianópolis. Ela relatou que havia bebido e que foi dopada e estuprada pelo rapaz. Na última terça (03), a Justiça o inocentou e disse que a sentença foi baseada na falta de provas sobre eventual dolo na conduta.



O Ministério Público de Santa Catarina, mesmo órgão que fez a acusação formal, disse que não foi demonstrado que houve “relação sexual sem que uma das partes tivesse o necessário discernimento dos fatos ou capacidade de oferecer resistência (Mariana Ferrer), ou, ainda, que a outra parte (André Aranha) tivesse conhecimento dessa situação, pressupostos para a configuração de crime”, o que também descaracterizaria o crime de estupro de vulnerável.


O jornal Estado de S.Paulo disponibilizou na íntegra a audiência de Mariana Ferrer em julgamento sobre a acusação de estupro, que pode ser assistida abaixo:



VEJA TAMBÉM: Intercept admite que inventou o termo "estupro culposo" após veredito


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