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  • Donald Duck

Será a corrupção o pior mal do Brasil?

Atualizado: Abr 15


A sanha do brasileiro por dinheiro sempre foi a força motriz da nossa história, ao menos da parte mais recente dela.


Os problemas mais absurdos do universo parecem brincadeira de criança, se comparados a um desvio de verba de poucos reais, aos olhos do cidadão tupiniquim.


Há quem diga que essa supervalorização do capital seja algo positivo, mostrando que nem tudo está perdido por aqui, ao menos em questão de moral. Temos argumentos suficientes para provar que é justamente o contrário.


É sabido que o senso das proporções é, em qualquer sociedade, o termômetro de sua sanidade. Ocorre que a valorização exacerbada de questões financeiras, abrindo mão de todo o resto, é sintoma mesmo de uma inversão completa de valores.


Até o Brasil ser assaltado pelo Partido dos Trabalhadores, et caterva, a esquerda já tinha tornado o país num narco-estado, dando às FARC todos os meios possíveis e imagináveis de atuação e influência em nosso território; as universidades e mídias já tinham sido dominadas pelos militantes, que doutrinaram nossos jovens e nossa opinião pública para se tornarem favoráveis às pautas socialistas; os cargos públicos, em todas as esferas de atuação, já tinham sido infiltrados por militantes comunistas, que trabalham dia e noite em prol de objetivos revolucionários; a criminalidade nacional chegou a níveis de guerra civil, com absurdos 50 mil homicídios por ano.

Tudo isso aconteceu por décadas no país, sem que ninguém desse sequer uma declaração em desacordo - nem uma notinha de repúdio -, como se tudo estivesse acontecendo democraticamente por aqui.


Nada parecia indignar o brasileiro, até que, após uma campanha do PT – vejam só – pela moralidade, contra a corrupção, em meados dos anos 90, povoou nosso imaginário, e passamos a ver o enriquecimento ilícito como algo mais prejudicial que crimes contra a vida, contra a família, entre outros.


Pode-se extrair, daí, a derrocada moral na qual nos encontramos. Não existe nada que tire nossa paz, exceto um locupletamento que nos pareça imerecido. A supervalorização do material em detrimento do espiritual/moral/transcendente toma, aqui, sua forma mais premente.


Com este diagnóstico, é natural que quando nós, conservadores, os únicos que parecem ter enxergado este fenômeno com, pelo menos, 30 anos de atraso, indignemo-nos com esta inércia, venham seres iluminados dando sua contribuição: nós precisamos acabar com a pobreza antes de resolver estes problemas.


Ora, de que adianta resolver o problema da fome no país, se nós não estaremos vivos até lá? Se nossos filhos tiverem sido cooptados por alguma ideologia nefasta? Se nossos netos estiverem afundados no mundo das drogas? A solução é e sempre será de ordem moral e intelectual. É neste campo que nós fomos primeiro atacados e é por meio dele que sairemos do fundo do abismo em que nos encontramos.


Daí que, quando algum Minion apressadinho nos advirta que nós devemos agir, e que não temos tempo a perder com os estudos, devemos convidá-lo de volta à realidade, apontando que atalhos não irão adiantar. É pelo caminho mais trabalhoso que iremos vislumbrar um futuro diferente.


Se nosso objetivo com o resgate do conservadorismo é, apenas, trazer melhores condições financeiras ao homem médio, nosso objetivo é fútil, é perverso, é raso. Se nós queremos tirar o país da miséria financeira, deixando a miséria intelectual para depois, seguiremos a ver navios, sem perspectivas de melhora, pois o problema é menos material que espiritual. O campo de batalha, portanto, é este, e não aquele.


“Foi por isso que, mais de vinte anos atrás, cheguei à conclusão de que toda solução política para os males do país estava, desde a raiz, inviabilizada pelo caráter fútil e perverso das discussões públicas.


Só havia um meio – difícil e trabalhoso, mas realista – de mudar para melhor o curso das coisas neste país, e esse curso não passava pela ação político-eleitoral. Era preciso seguir, “sem parar, sem precipitar e sem retroceder”, como ensinava o Paulo Mercadante, as seguintes etapas:


Revigorar a cultura superior, treinando jovens para que pudessem produzir obras à altura daquilo que o Brasil tinha até os anos 50-60 do século passado.


Higienizar, assim, o mercado editorial e a mídia cultural, criando aos poucos um novo ambiente consumidor de alta cultura e saneando, dessa maneira, os debates públicos.


Sanear a grande mídia, mediante pressão, boicote e ocupação de espaços.


Sanear o ambiente religioso — católico e protestante.


Sanear, gradativamente, as instituições de ensino.


Por fim, elevar o nível do debate político, fazendo-o tocar nas realidades do país em vez de perder-se em chavões imateriais e tiradas de retórica vazia. Esta etapa não seria atingida em menos de vinte ou trinta anos, mas não existe caminho das pedras, não há solução política, não há fórmula ideológica salvadora. Ou se percorrem todas essas etapas, com paciência, determinação e firmeza, ou tudo não passará de uma sucessão patética de ejaculações precoces”.


- Olavo de Carvalho.

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