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The Good ,The Bad and The Ugly (1966)

Por Anônimo


Não é tanto o que fazemos, mas o motivo pelo qual fazemos que determina a bondade ou a malícia.”

Santo Agostinho


Existe um filme que eu assisti durante toda a minha infância ,e que provavelmente definiu minha personalidade sem eu saber ,conhecido no Brasil como Três Homens em Conflito ou O bom ,o Mau e o Feio. Intuitivamente sempre soube que havia neste filme algo além das belas paisagens, da masculinidade, individualidade e do famoso bang-bang, algo muito mais profundo e valioso que eu não era capaz de compreender, no máximo me evocava um sentimento de liberdade.


Então este ano, depois de algumas dezenas de vezes que eu o assisti, percebi que por baixo de toda o sangue, poeira e violência havia também beleza, uma ideia Cristã,(pensando agora, seria um desperdício a linda trilha sonora de Ennio Morricone ser usada se não houvesse também uma história igualmente bela).Sérgio Leone deixa diversas dicas ao longo deste clássico Western Spaguetti, (não por acaso o tesouro se encontra em um túmulo de um desconhecido, que representa o fim de todos nós) mas eu estava cego pela brutalidade e os outros aspectos menos nobres do filme, em outras palavras ,estava encantado pelos aspectos maus e materiais (coisa que acontece frequentemente comigo, e com os menos inteligentes em geral).

As grandes Obras de Arte são assim, possuem diversas camadas, e é dado a cada um aquilo que ele merece, superficialidade ou profundidade.


O filme se passa durante a Guerra Civil Americana e os três personagens, Olhos de Anjo,Tuco e Blondie( Loirinho ),ou o cavaleiro sem nome (que poderia ser qualquer um de nós) lutam entre si e se ajudam ao longo da história, mas por motivos diferentes.

Olhos de Anjo,O Mau interpretado por Lee van Cleef é aquele que pensa apenas no material ou no ouro,incapaz de ajudar qualquer um a não ser por ”dinheiro”.


Tuco, o Feio ,interpretado por Eli Wallach, apesar das aparências, tem uma certa burrice quase infantil, e apesar de também ser mau, pratica uma espécie de maldade mais branda ,que é aquela irracional, (há quem diga que a maldade é um tipo de burrice, tendo a concordar) e diferente do que normalmente pensamos, ele ainda é capaz de amar o outro, ainda que de forma torta ,como mostrado em uma breve cena em que encontra seu irmão no monastério.


Blondie ,O Bom, personagem de Clint Eastwood ,ao longo do filme usa sua inteligência para salvar a si mesmo e quando possível os outros, na cena final fica claro que o ato de ajudar não foi apenas pelo ouro. E como ele é o único que obteve a liberdade completa.

Talvez no fim das contas, exista apenas o indivíduo (você e eu) e não importa se lutou pela União, pelos Confederados ,ou pelos dois ,se esteve ao lado dos Feios ou dos Maus ,o que realmente importa é o que você fez com suas circunstâncias ,se você foi mais inteligente, e no meio do caos e da imbecilidade humana foi capaz de praticar algum bem, tirando a corda do pescoço daqueles que estão ao seu redor nesta guerra (ou seria vida ?).Só as pessoas boas são realmente livres.


Quando você ver o pior homem do mundo, o sentimento mais adequado é o de pena ,não raiva ,pois para ele, o túmulo é o fim da história.


Bondade é amar as pessoas mais do que elas merecem.”

Joseph Joubert