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The Matrix Ressurrections

Por Evandro Pontes

Imagem: reprodução

Nunca escondi que incluo entre as grandes obras de arte da história da humanidade, a trilogia Matrix.


É criação de gênio de Larry Wachowski: ninguém soube relatar com tanta precisão as nuances e detalhes sobre a captura de uma alma pelo sistema e as respectivas formas de sua libertação e reaprisionamento.


Há quem critique os capítulos 2 e 3 da trilogia, respectivamente Reloaded e Revolutions. Não vejo defeitos: o confronto final com o Agente Smith instalado pelo próprio Lúcifer, coloca o espectador diante do grave dilema de se compreender Neo como falso profeta ou mártir, sobretudo no epílogo que se segue com o diálogo decisivo entre o Arquiteto e a Oráculo.


Dia 5 de novembro, o capítulo final alcançará a sua maioridade e como forma simbólica de abrir-se para reflexões atualizadas, os estúdios Warner junto com Larry anunciaram, sob título ousado, Matrix Resurrections.


Note que a sutileza da palavra resurrection (ressureição), cognata de insurrection (insurreições) tem na raiz o verbo latino surgo, de “surgir”, “aparecer” ou “anunciar”.


A ideia da anunciação é caríssima para toda a filosofia patrística e pode se referir tanto para o bem, quanto para o mal.


E é assim que Neo, novamente na pele de Thomas Anderson, ressurge: no divã de um psiquiatra, a apóstase do Confessor.


Para sobreviver na “nova Matrix”, Neo entope-se de blue pills em meio a um mundo conectado na Matrix por intermédio de hordas de “pilhas” presas em seus smartphones – desde a última versão da Matrix “criada pelo Arquiteto”, essa arma de controle ainda não existia.


O processo parece se repetir quando Neo dispensa todas as blue pills e toma novamente a sua red pill. O novo Morpheus, deste ponto em diante, promete um novo voo.


A história gira em torno de reencontros, reconhecimentos, desistências e insistências – “I know you will never give up”, diz o novo Morpheus, ao que responde o novo Neo, “you don’t know me”. E nos chama de volta para a reflexão no mesmo divã onde o trailer começa, com a seguinte provocação do psiquiatra: “...after all these years, to be going back to where all started - back to the Matrix?”


Seria esse Resurrections uma releitura dos tempos atuais pela velha Matrix (o que, artisticamente, pode estar nos sendo oferecido “mais do mesmo”) ou seria uma nova Matrix adaptada aos tempos atuais onde podemos fazer uma releitura da antiga Matrix?


Na véspera do Natal neste ano ainda, saberemos as respostas.


Aliás, a propósito: o presidente Bolsonaro emitiu uma nota escrita pelo Agente Smith em que basicamente me fez questionar - “...after all these years, to be going back to where all started - back to the Matrix?”: mas isso é mera coincidência.


Do meu lado, leitor e leitora queridos, a única coisa que eu tenho a oferecer é um frasco de red pill. E ao contrário do que o “velho Neo velho” responde ao novo Morpheus, vocês poderão dizer a mim “I know you very well, Pontes”.


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