• Alexandre Nagado

Três anos do caso Alfie Evans

Quando uma corte decide pela morte de uma criança.

Nesta data, completam-se três anos do trágico fim do menino inglês Alfie Evans, morto aos dois anos de idade. Portador de uma doença rara e fatal, fora desenganado pelos médicos do hospital onde estava. Indicaram que o melhor seria desligar os aparelhos que o alimentavam e mantinham vivo, pois ele nunca sairia do estado de coma em que havia entrado. Alegavam que o cérebro já estava comprometido e que ele iria apenas vegetar. Os pais, em desespero, procuraram ajuda externa. Um hospital italiano, ligado ao Vaticano, ofereceu ajuda, ofereceu transporte gratuito e disse que poderia tentar uma terapia alternativa, sem custo algum para o Estado inglês.


A justiça inglesa negou o direito dos pais. A luta judicial foi longa e desgastante. O Papa Francisco tentou ajudar e pediu que deixassem os pais ao menos tentarem um tratamento alternativo. Mas o hospital e a corte inglesa decidiram que o diagnóstico era definitivo e negaram aos pais até mesmo o direito de tirá-lo de lá, baseados em uma lei inglesa que dá superioridade ao Estado sobre os pais para decidir o que é melhor para seus filhos. A corte inglesa decretou a morte do menino pelo desligamento de suporte vital por considerar ser algo mais piedoso.


Desligaram os aparelhos e ele levou quase CINCO DIAS para morrer de inanição. É impossível imaginar essa monstruosidade sendo presenciada a cada momento pelos pais, impedidos de agir. Esperavam que ele morresse rapidamente ao desligarem os aparelhos, mas ele resistiu bravamente por dias. Para observadores sem alma, ele nada sofreu, pois permaneceu como que em sono profundo até que sua chama vital se extinguiu na frente de seus pais, desesperados por não poderem tentar salvar sua vida.


Em 25 de abril de 2018, Alfie finalmente descansou. Talvez ele já estivesse mesmo condenado, mas foi negado aos pais o direito de fazer uma última tentativa, ainda que fosse algo experimental, sem comprovação científica. Qual pai ou mãe não gostaria de tentar com todas as forças antes de dar um filho como perdido? A falta de sentimento do governo inglês é realmente apavorante e tal coisa já foi feita no passado, com o menino Charlie Gard, em 2017. Alfie não morreu por causa de sua doença degenerativa. Foi morto pelo Estado autoritário, que não permitiu que outro hospital, outro país, tentasse salvá-lo. Por orgulho. Por política. Por ausência de sentimento.


Em 2019, os pais da menina Tafida Raqeeb foram autorizados a tentar tratamento na Itália, e sua vida foi salva. Atualmente, os pais da menina Pippa Knight, de cinco anos, lutam contra a decisão da corte inglesa, que já optou pela morte da criança, sem direito a mais tentativas de reversão de seu grave estado de saúde.


Isso é o resultado de um Estado que se julga proprietário e administrador da vida de seus cidadãos.


Quando o Estado nega a possibilidade de sequer tentar um tratamento que em nada vai lhe onerar, conduzindo uma pessoa à morte sem o direito à esperança, fica bastante claro como é sua escala de valores em relação a um bem sagrado como a Vida.



Mais sobre o caso Alfie Evans:

- Um texto emocionante no site do Vaticano.