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Um muro de livros para conter e implodir a hegemonia cultural da esquerda, sugere o filósofo

Por Zaraba Oliveira



O professor Olavo de Carvalho não cansa de repetir que a esquerda chegou ao poder a partir do absoluto controle do ensino universitário e da área cultural, um plano que levou tempo para sua consecução e que está estampado diante dos olhos de quem não se nega a ver. É das universidades que saíram juízes, advogados, cientistas sociais, engenheiros etc., e claro, os políticos, que tomaram de assalto os principais cargos públicos até o comunismo chegar à presidência com FHC, Lula e a mulher sapiens Dilma. “É mais importante conquistar a presidência de um centro acadêmico do que a da República”, compara o filósofo, em alusão à importância da construção de uma forte base cultural antes da aventura puramente eleitoral, como foi o caso de Bolsonaro.


Em uma de suas aulas do COF (Curso Online de Filosofia), o emérito pensador lembra que a preparação do imaginário, através da literatura, antecede o convencimento do intelecto à adesão das palavras de ordem, da pregação ideológica em si mesma. Por exemplo, depois que os militares sufocaram os movimentos revolucionários comunistas, esses foram para casa escrever romances, como o Guarup, de Antônio Callado, está tudo lá, a guerrilha, as drogas, a degeneração moral das relações sexuais etc. “Se você não convence a imaginação do cara, também você não vai convencer a vontade dele, o intelecto dele”, argumenta.


Olavo diz que está tentando consertar isso, criar uma plêiade de intelectuais para que construam uma espécie de um muro de livros, superlotar as livrarias de obras que contenham a verdadeira história do Brasil e desmascarar toda esta palhaçada. “Até hoje eles repetem a história de que foram os americanos que fizeram o golpe de 64. E os soviéticos? Até hoje eles não conseguiram me citar um único agente da CIA que estivesse lotado no Brasil na época. Mas o livro do Mauro Abranches (1964 - O Elo Perdido: o Brasil nos Arquivos do Serviço Secreto Comunista) dá conta da existência de três mil agentes da KGB. Quem fez o golpe não foi a CIA, mas quem fez o governo João Goulart foi a KGB”, afirma o professor, demonstrando a força da propaganda na fixação de uma narrativa falsa, que urge ser colocada em pratos limpos.


Em artigo escrito em 2006, Olavo alertava sobre o problema: “Quem entra numa livraria qualquer, verá a demonstração clara do que estou dizendo. A ascensão do império petista foi precedida de meio século de ocupação do espaço cultural. Antes do Estado ser engolido pelo PT, impregnava-se de esquerdismo militante as ideias, os juízos de valores, as palavras, os sentimentos e até as reações automáticas de aplausos e rejeição”.


Não se muda o curso da história com uma varinha de condão. Para implodir os castelos de mentiras construídos pelos esquerdistas ao longo de meio século é premente a produção de trabalhos científicos em profusão, livros e mais livros com abordagens realísticas da história brasileira, usando a criatividade para romper os muros de contenção do pensamento único e fazer chegar ao maior número de pessoas tais publicações. É sobre isso que o professor tanto insiste: “há vinte anos estou pedindo que façam estudos científicos sobre as teses universitárias, porque quem controla a aprovação de teses determina hoje o conteúdo da ideologia da próxima geração de formandos.” E dá o caminho das pedras: “investiguem assim, quantas teses universitárias não comunistas foram, não digo aprovadas, aceitas para exames em todas as universidades brasileiras? Praticamente nenhuma, mas isto tem que ser provado cientificamente. É suficiente para provar, não a doutrinação, mas o controle hegemônico ditatorial e criminoso” da claque acadêmica.


Certamente, se o apelo do pensador houvesse sido atendido em tempo estaríamos vivendo outras circunstâncias na esfera cultural e, por que não dizer, política. Daí a urgência, prossegue o professor, de se pensar e agir no âmbito das universidades, na conquista dos centros acadêmicos, na produção de livros com peso intelectual e científico contundentes e não de polêmicas jornalísticas, embora esta tenha sua importância, mas é ulterior. Foi o que aconteceu com “o esforço da esquerda, nos anos 60 e 70, para dominar as Ciências Sociais - e dominaram! - e quem domina a mentalidade do povo, domina o país”. A esperança é que seus alunos mais talentosos se entreguem a esta tarefa e a multipliquem, pois caso contrário - adverte - farão por merecer uma ditadura muito pior do que se imagina.


Se a pressa é inimiga da perfeição, como diz o adágio popular, os conselhos do filósofo corroboram a ideia de se construir uma base sólida para sustentação de uma sociedade livre de cabrestos e forte para rechaçar quaisquer ideias desconstrutivistas de seus valores mais caros, da família, da propriedade, da crença e das liberdades e responsabilidades individuais. A messe é grande e há poucos trabalhadores, como Jesus falou a seus discípulos, ele mesmo que começou com doze homens fiéis e dispostos a estabelecer o seu reino em todas as nações. E o resultado nós sabemos.


Corremos contra o tempo porque há necessidade de décadas de intensos trabalhos de luta pela reconquista do espaço cultural e, por outro lado, constata-se que a elite mundial avança célere na imposição de suas agendas capitaneadas pela ONU e seus puxadinhos, como a OMS, UNESCO, FAO, e demais organismos. Vacinação em massa, aborto, diversidade, cotas para minorias, direitos dos LGBTQ+, moeda digital, mudanças climáticas, sustentabilidade são, entre outras, ferramentas já aplicadas nas legislações da maioria das nações ocidentais, com a cumplicidade dos políticos e do ativismo judiciário das altas cortes. E mais cínico é a apoio irrestrito dos movimentos esquerdistas, hoje representados, não pela massa de trabalhadores, mas de gays, feministas, racistas, ativistas contra o aquecimento e mudanças climáticas e outros grupos financiados pelos megacapitalistas, seus odiados inimigos do passado.


Não se pode deixar de intuir que tais movimentos seguem as ações do ativista radical americano Saul Alinsky, morto em 1972, inspirador de teses de Hillary Clinton e do ex-presidente Barack Obama, seus mais famosos discípulos. Um de seus livros, intitulado “Regras para radicais: um guia para radicais realistas”, ganhou as universidades e a esquerda se apropriou de suas ideias para formação de um exército de militantes.


A obra contém regras e ensina táticas “não-violentas” voltadas para a organização de comunidades e promoção de mudanças sociais, as conhecidas 13 regras. Não passa desapercebida a menção do autor a Lúcifer, o primeiro radical do imaginário popular. Eis as regras: 1) o poder não é aquilo que você possui, mas o que o inimigo pensa que você possui; 2) Nunca abandone o campo de experiência de seu próprio povo; 3) Sempre que possível faça o inimigo sair do campo onde ele possui experiência; 4) faça o inimigo viver de acordo com seu próprio livro de regras; 5) a ridicularização é arma mais poderosa do homem; 6) uma boa tática é aquela da qual seu povo pode desfrutar; 7) uma tática que se prolonga demais torna-se contraproducente; 8) mantenha a pressão; 9) a ameaça é geralmente mais aterrorizante que a própria ação; 10) a principal premissa tática é o desenvolvimento de operações que mantenha uma pressão constante na oposição; 11) ao pressionar um ponto negativo com força e profundidade suficientes, ele será reconhecido pelo lado contrário; 12) o preço de um ataque bem-sucedido é uma alternativa construtiva; 13) escolha o alvo, congele-o, personalize-o e polarize-o.


Não é difícil detectar essas ideias sendo postas em prática há décadas no Brasil e no mundo afora de forma simultânea e crescente, cuja origem de fermentação está justamente nos meios universitários, é ali no ninho da serpente que o professor Olavo sugere aos seus alunos direcionar suas ações de modo a impedir a eclosão de milhares de ovos, filhotes de Lúcifer de danação social.


Diante do recrudescimento desses movimentos, abrindo o caminho para a Nova Ordem Mundial assentar seu poder, apresenta-se uma luta em duas frentes: a primeira, a curto prazo, de reação aos globalistas, já com os coturnos em nossa porta; e a outra, lenta e gradual, nas esferas das universidades, que é como o artífice que moldura a armadura do guerreiro para o embate, sem a qual estará em desvantagem contra inimigos mais numerosos e preparados . Os inimigos largaram na frente e os conservadores não se deram conta disso. Agora não há outra alternativa a não ser o enfrentamento. E não há motivos para pessimismo e conformismo, pois seria aceitar de antemão a derrota e submissão ao inimigo. Afinal, o herói nasce das impossibilidades e aparece nos momentos mais críticos. Arme-se do ânimo de Ulisses, conheça o inimigo, estude, propague o conhecimento da Verdade e confie na vitória.