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Um paquiderme e a política atual.



Por Talita Ruiz


Um dos contos que li recentemente e me chamou muito a atenção foi um dos ensaios de George Orwell chamado “Atirando em um elefante” (tradução da editora Pé da letra).

A história se passa na Birmânia, à época uma colônia inglesa e atualmente, independente, chama-se Myanmar.


Orwell narra como, ainda jovem, é designado para um vilarejo muito pobre para servir como homem da lei representando ali o poder do império inglês e, obviamente, como era odiado por ser europeu pela população em questão.


No desenrolar da trama ele se vê numa situação onde se faz necessário o controle de um grande animal, um elefante que descontroladamente foge e no meio do caminho mata um reles servo pisoteado.


Dispondo de uma arma, coisa que a população não dispunha, ele se vê em meio a uma multidão de pessoas cada vez maior ávidas pelo espetáculo que ali se consolidava, além da iminente morte do animal que poderia servir de alimento àquela população.


Porém, à medida que encontra finalmente o elefante, o animal já aparenta certa serenidade e o mais lógico a fazer seria esperar seu cuidador chegar para levá-lo para casa, porém, não é o que acontece.


A partir disso, proponho aqui a reflexão da política atual e como esse imenso elefante iniciado em 2018 acabou por fim abatido.

Tivemos um grande levante político e um frenesi, tal qual o grande paquiderme em 2018 por parte de uma direita conservadora que, até então, não existia ou estava anestesiada.


A única direita conhecida era aquela social democrata que vestia a máscara de antipetismo e seu teatro das tesouras, mais do que exposto por diversos conteúdos em vídeos e textos de mídias independentes.


Pois bem, vencemos! Elegemos o cargo máximo do executivo da nação e sendo assim, ganhamos a atenção da população. Aquele homem que todos escarneciam, como Orwell em seu conto, caiu nas graças do povão.


Monta-se aí um palco para o espetáculo que estaria por vir.


De arma em punho fomos perseguir nosso elefante, nosso frenesi e juntando uma grande multidão no caminho encontramos finalmente nosso grande objetivo.

Ele estava ali em meio àquele plano de governo com pautas conservadoras, muitos foram apresentados ao conservadorismo ali.


O eram sem nem mesmo saber, como no conto de Orwell. O povo poderia se alimentar disso e ter comida para todos se fartarem, fato que não acontecia a tempos ou talvez nunca antes visto.


Ao avançar do caminho observaram melhor aquele elefante e ele não parecia mais tão útil assim, afinal como na história, teria pisoteado um humilde servo do povo e, diferente do conto, quase o matara.


Quanto mais a multidão a segui-lo aumentava, o dono da arma (da caneta) teve que decidir entre saciar a vontade de pão e circo da população ou se pegar a idéia inicial de guiar o grande elefante (conservadorismo) até que esteja domado e pronto para continuar a fazer seu trabalho.


Sendo observado por milhares de olhos e já totalmente convencido que se não fizesse algo de concreto voltaria a ser odiado por aquele povo orfão de ídolos, se voltou a única alternativa: matar o elefante.


Como na história não foi de uma vez, já que nem sabia o que estava fazendo.


Primeiro, atirou na fronte deixando o animal desnorteado, depois atirou no coração e tirou suas forças, arqueando o conservadorismo no chão agonizante e após mais alguns tiros, mesmo agonizante o conservadorismo ainda urra tentando se prender a vida mesmo sangrando e sem forças.


Por fim, espero que não termine tudo como no conto onde o povo simplesmente dilacera todo o conceito de conservadorismo e se empanturram à espera de um novo espetáculo, afinal como Orwell explica, apenas matou o elefante para não parecer tolo!