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Vai ter mulher sim! Você queira ou não.

No melhor estilo autoritário, as propostas de cotas já são discutidas na Câmara.


Com o baixo crescimento de mulheres na política durante as eleições municipais de 2020, deputadas defendem a aprovação de cota fixa de mulheres no Legislativo, e não apenas cota de candidaturas femininas como existe hoje.


Parece que todo o investimento em campanhas para eleger mulheres não surtiu muito efeito. Mais uma vez nosso dinheiro foi pelo ralo com programas com fundamentos confusos e enganosos.


As deputadas em questão apontam que os fatores que impediram a vitória das candidatas foram candidaturas laranjas e violência política nas campanhas. Avisamos que a culpa seria do eleitor, não avisamos? Como ousa fazer memes e não votar em mulheres?


A campanha de combate a violência política contra as mulheres foi um dos objetivos do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH). De acordo com a explicação do ministério, caracteriza violência política a prática que “impede ou restringe o acesso e exercício de funções públicas ou induz a mulher a tomar decisões contrárias à própria vontade", explica a pasta de Damares.


A própria Ministra Damares, defensora das pautas progressistas, afirma que sofre violência política:


Candidaturas laranjas

Para a deputada Margarete Coelho (PP-PI), as eleições municipais de 2020 “deixam um sabor de frustração”.

“Ainda temos um número muito elevado de municípios que não elegeram nenhuma mulher para a Câmara de Vereadores: 900 municípios”, apontou.


“Também tem um número muito elevado de candidaturas que à primeira vista aparentam ser fictícias, candidaturas laranjas. Cerca de 5 mil candidatas mulheres ainda tiveram votações que nos levam a olhar com desconfiança para sua real participação no pleito”, completou.


Cota Fixa de Vagas


A coordenadora da bancada feminina, deputada Professora Dorinha Seabra Rezende (DEM-TO), destaca que o destino dos recursos de campanha, mesmo os 30% garantidos para as candidatas, é decidido pelos dirigentes dos partidos, que em geral são homens.


Ela considera essencial aprovar proposta de emenda à Constituição (PEC 134/15) que institui cotas fixas de vagas para as mulheres nas câmaras de vereadores, assembleias legislativas e na Câmara dos Deputados, e não apenas cota de 30% para as candidaturas femininas, como acontece hoje.


“Esse é o desafio da bancada feminina: mudar a legislação e acompanhar sua efetivação na prática. Crescemos, mas crescemos muito pouco e queremos muito mais”, avaliou.


"Representatividade"

Apesar do desinteresse das mulheres em entrar para a política e o péssimo desempenho das mesmas quando já eleitas não adiantou para mostrar que cotas não podem forçar a vontade popular.


A pauta identitária, clássica da esquerda, segue em discussão e a imposição de cotas se mantém como tema dentro da Câmara.

“Para a democracia, nós sabemos o quanto é importante a eleição de mulheres, porque nós devemos nos aproximar e alcançar a igualdade na representação, isso qualifica a democracia” , destaca a deputada Maria do Rosário (PT-RS). Para ela, a violência política ainda prejudica o acesso das mulheres aos espaços de poder.


A parlamentar observa, porém, que houve um salto na "representatividade" de mulheres negras e trans eleitas. Sim, para ela existe mulheres trans e estas são somadas no resultado eleitoral como apenas mulheres.


O importante das eleições de 2020 não é apenas um aumento no número de mulheres, mas da qualidade da representação. Mais mulheres negras foram eleitas, mais mulheres no campo, mais mulheres vinculadas a pautas históricas da luta feminista, ou seja, mulheres que lutam pela liberdade e pelos direitos das mulheres e da população como um todo”, afirmou.


A pauta Identitária e a Esquerda


A esquerda raíz ou velha esquerda não vai com a cara da pauta identitária. Alegando que ela vai contra o Marxismo e o fundamento da luta de classes.


Ciro Gomes (vice-presidente do PDT) abordou o assunto durante uma entrevista a CNN Brasil.

“Não é que as questões identitárias não sejam justas, não tenham que ser patrocinadas. As mulheres são perseguidas mesmo. Os negros são a parte mais vulnerável e mais perseguida mesmo. Os jovens são mais perseguidos mesmo. A comunidade LGBTQI sofre todo o tipo de selvageria e discriminação. E eles tem que ser protegidos. A questão é que a soma desses interesses identitários não representam o interesse nacional. E o interesse nacional é que a chave para a gente se reconciliar com a maioria do povo”.


Nos EUA, Mark Lilla criticou o identitarismo, o que resultou em uma campanha de “cancelamento” e agressões pelas mãos da nova esquerda. Lilla publicou um artigo no New York Times no qual atribui a vitória de Trump à fragmentação produzida pelo identitarismo do Partido Democrata.


O identitarismo já se enraizou dentro do progressismo. E isso continua preocupando os militantes da velha esquerda. Inclusive, culpam o identitarismo de trazer a tona o movimento conservador e o crescimento da direita na política.


As eleições de 2020 foram as primeiras eleições municipais em que valeram tanto a cota de 30% de candidaturas femininas quanto também a reserva, definida pelo TSE, de pelo menos 30% dos fundos eleitoral e partidário para financiar candidatas e a aplicação do mesmo percentual ao tempo de propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão. Apesar disso, de acordo com os dados do TSE, as mulheres representaram apenas 33% das candidaturas. Em 2016, as candidaturas femininas foram 31,9% do total.


Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), as mulheres representam 12% dos prefeitos eleitos no primeiro turno das eleições municipais.


No caso das vereadoras, representam 16% do total de eleitos para as câmaras municipais, enquanto em 2016 esse número era de 13,5% do total de vereadores.


As exigências e projetos da Bancada Feminina foi ouvida pelo presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que prometeu pautar a PEC 134/15 após as eleições municipais.


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