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Which way, Western Man?

O momento que o flanco direitista do espectro político brasileiro vive agora me lembra duas figuras.

De um lado, contemplo o Soldado Desconhecido, símbolo erigido por nações mundo afora ao fim grandes guerras, sempre com o propósito de unificar homenagens tributadas à memória de combatentes que tombaram no campo de batalha contando apenas com o testemunho silencioso de Deus em seu último momento. Tendo suas identidades perdidas para sempre, após sua morte, esses soldados são agrupados debaixo daquele símbolo e ficam, assim, à sombra do anonimato, à beira do esquecimento.

O Soldado Desconhecido é oficializado como o busto final e definitivo de todos aqueles que, após sua partida, não contam com nada além das orações de uns poucos parentes e conhecidos que tiveram em vida. Sobre eles os poetas não cantarão, nem os pintores retratarão seus heroísmos; os governadores e os prefeitos, tendo já os próprios familiares e correligionários para homenagear, dificilmente lembrarão daqueles combatentes quando forem batizar uma nova escola ou um novo hospital.

No outro lado, porém, surge triunfante outra figura, vigorosa e radiante, além de viva – e muito viva – e dona de um rosto e de um nome que ela própria se empenhará bastante em marcar na História. O Revolucionário é um personagem típico do nosso tempo; mais que isso, é o seu autor (lembremos que a Contemporaneidade se inicia com a Revolução Francesa). Não me refiro, no entanto, ao peões enviados às batalhas e guerrilhas para morrer pela causa da Revolução, mas ao revolucionário que cria estes embates em sua cabeça, primeiro, e nos campos e cidades depois; refiro-me ao idealista, ao militante, ao agitador, àquele crente de que o prêmio porque “luta” não habita nem no passado, com o qual ele cortou laços, nem no presente, que o incomoda, mas está no futuro que ele próprio arquitetou e onde ele mesmo ambiciona ocupar lugar de destaque.

Eis o contraste entre o desconhecido que não pôde dizer um “adeus” e o agitador de massas que reclama as prerrogativas de Deus.

Mas o que a Direita brasileira – ou seja lá o que for essa maçaroca amorfa que se mostra bradando contra o bloco monolítico da esquerda – tem a ver com isso, afinal? A resposta é uma outra pergunta: “Which way, western man?”

Para “salvar o Ocidente”, que caminho trilharão aqueles que formam fileiras à Direita, em apoio ao Capitão no qual votaram para Presidente? Será o daqueles que abraçam sua vocação, que atendem ao chamado do alto e cumprem sem alarde o seu trabalho, ou será o dos que já imaginam seus nomes talhados no Livro de Aço antes de mais nada?


Será o rumo daqueles que sabem que o sucesso futuro do País terá o tamanho da dignidade e do caráter de seus filhos, ou será a trilha daqueles construíram casa e família com a solidez de um isopor, para depois lamentar e resmungar por não haver alternativas aos maus políticos, aos maus sacerdotes, ou aos maus jornalistas? Será o caminho de quem estuda antes de opinar, ou será tudo resolvido com uma tag?


Precisamos de mais catequistas na quietude de nossas pequenas paróquias, não de web-antipapas forjando suas férulas e mitras com visualizações e curtidas no conteúdo que divulgam, mas não praticam. Precisamos de mais professores do ensino básico instruindo crianças e jovens a compreender o mundo e buscar a Verdade, não de influencers refutadores, que derrubam DCE’s, mas são derrubados pelos Prolegômenos do Contra os Acadêmicos.


Precisamos de mais líderes comunitários realmente interessados em melhorar a vida do seu bairro, não de deputags e vereaviews agindo como se estivessem num reality show, onde ganha quem engaja mais público.


Chega de pôr a robozada para subir hashtags. Chega de entupir as redes sociais com clipping e mitada, “Tic-Tac” ou “It’s time”. Chega de pedir confiança num Xadrez 4D em que até o Bispo de Roma tem que ser pecinha e agir de acordo. Chega disso tudo!

Não ambicionemos o estrelato, ele não é para todos e, para os que não são filiados à Verdade, ele não é eterno.


Rejeitamos essa sanha vaidosa, própria dos revolucionários, que ambicionam construir o edifício rosado do “mundo melhor” a partir do pináculo. Pois sabemos que o teto não estaria lá no alto sem os alicerces lá no fundo.


No fim de tudo, independentemente do tamanho do esforço, a nossa verdadeira influência e o número dos realmente tocados por nosso exemplo de ação no mundo são num volume sempre muito menor do que o aparentado; como ocorre com o Soldado Desconhecido, que beneficiou um país inteiro com seu sacrifício, mas só foi chorado e honrado pelos mais chegados.


Não por outro motivo o próprio Olavo de Carvalho, apesar de ser professor de milhares e lido por milhões, sentenciou sobre sua própria condição que “Ser um filósofo num tempo de loucura geral é perceber, todos os dias, a impossibilidade de proteger mais de uns poucos cus mais próximos.”


Por João Brito (@joaodehileia)

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